Caro leitor, estou muito feliz em compartilhar com você a primeira entrevista desse blog. Eu tive o prazer de entrevistar a jovem dançarina cadeirante de 23 anos, Natália Ladislau que é integrante do Grupo de dança Asas para Dançar. Sua força e determinação cativam as pessoas ao seu redor e sua história de vida serve como exemplo para muitos. Veja abaixo, a entrevista que Natália Ladislau, gentilmente, concedeu ao blog.
Thaís Carvalho – Qual a sua deficiência?
Natália - Sou trigêmea (a do meio) e na hora do parto houveram algumas complicações e nasci com paraplegia flácida. Os médicos não perceberam pelo fato de termos nascido prematuras, porém quando fomos para a incubadora eles notaram que havia algo diferente comigo.
Thaís Carvalho - O que acha do comportamento da sociedade, no que diz respeito às necessidades das pessoas com deficiência?
Natália - A maioria das pessoas nos vêem como “coitadinhos”, pessoas dignas de piedade. Mas quando descobrem que somos pessoas “normais”, quer dizer, capazes de fazer tudo (e muitas vezes até melhor do que uma pessoa que não tem nenhum tipo de deficiência), ficam espantadas. Nunca tive problemas com isso (graças a Deus), na minha família sempre fui tratada de forma igual aos outros irmãos e isso me permitiu ter confiança em mim mesma.
Thaís Carvalho - Em relação à acessibilidade, como você vê a questão?
Natália- A acessibilidade é um problema muito sério, principalmente no DF (que deveria servir de exemplo, já que é Capital do País), quando se fala em acessibilidade temos o costume de pensar só na parte física ( rampas, elevadores, pisos táteis e etc...), mas a verdade é que nada adianta uma cidade estar totalmente adaptada se a própria sociedade não for capaz de nos tratar com respeito. Não é raro vermos, por exemplo, motoristas estacionando em vagas exclusivas para pessoas com deficiência ou motoristas de ônibus que não param ou até fingem que não nos vêem, por quê? Simplesmente por não terem sido preparados para lidar com a inclusão (adaptações como elevadores e rampas, que facilitam a entrada de cadeirantes nos ônibus).
Thaís Carvalho – Como você vê os relacionamentos amorosos para uma pessoa com deficiência?
Natália - Essa é outra questão ampla que tem várias respostas, mas para mim namorar, ficar, estar com alguém não é nada diferente, apesar de que na maioria das vezes a maior parte dos homens não me olha com naturalidade, com olhar de homem para mulher. Não acho que isso seja um preconceito, mas sim um mal costume. Posso citar um exemplo : certa vez eu fiquei com um cara que conheci na balada e como eu estava sentada em um sofá ele não percebeu que eu era paraplégica, depois que ficamos, como já estava meio tarde, sentei na minha cadeira pra ir embora, a expressão dele mudou, ficou muito surpreso, como se não estivesse acreditando que uma mulher tão bonita pudesse ser cadeirante e ele ter se interessado em ficar com ela....
Thaís Carvalho - Como surgiu a oportunidade de participar do grupo de dança Asas para Dançar?
Natália- Primeiro conheci a Sabrina (uma amiga minha do grupo), e fiz amizade com ela, ela já fazia parte do grupo e me interessei, fui em um ensaio e me dei tão bem com a Dayse (coordenadora do Grupo Asas para Dançar) e com todos os outros integrantes que desde ai não saí mais e faço parte há 2 anos, é maravilhoso participar desse grupo tão especial, as apresentações então são muito motivadoras, é ótimo passar este exemplo para as pessoas , ver que ao final de cada apresentação somos aplaudidas de pé!! Cada integrante do grupo possuem necessidades diferentes e progressos também bem diferentes. Posso falar com toda a certeza que nos dias dos ensaios, ficamos muito mais felizes, mais motivados pra tudo o que vier pela frente. Agradeço a DEUS todos os dias por ter colocado pessoas tão lindas na minha vida que me proporcionaram ver a vida de uma maneira diferente e muito melhor.
Thaís Carvalho - O que você gosta de fazer além de dançar?
Natália- Adoro sair para baladas, cinema com amigos, amo viajar, conhecer gente nova, namorar. É isso, gosto de viver tudo o que há pra viver! Estou tirando a carteira de motorista o que encaro como uma grande conquista pois vai contribuir muito para a minha independência!
Thaís Carvalho – Gostaria que você deixasse uma mensagem para os nossos leitores.
Natália - Todo SER HUMANO é digno de respeito e de oportunidades independente de ser deficiente ou não. Acredito que nada é por acaso, então se Deus permitiu que houvesse PCDS (pessoas com deficiências), é por que algum motivo muito forte ELE teve. Procure ver as pessoas de dentro pra fora e não o contrário pois com certeza só tem a ganhar. Pessoas lindas e especiais, não se abalem com os olhares curiosos nem com os julgamentos, pense sempre que ninguém é igual a ninguém (até por que não teria nem graça se fosse assim), e com certeza temos muito a acrescentar nesse mundo!!!





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